O site Artes do Japão tem o prazer de trazer a entrevista deste grande profissional da área da Educação Física e Karate-do, Professor Jefferson Campos Lopes. Figura notória no mundo acadêmico e reconhecido com os Prêmios de Melhor Profissional de Educação Física pelo CREF (Conselho Regional de Educação Física), Mérito Esportivo pela Assembleia Legislativa de São Paulo e como Melhor Profissional Acadêmico pela Associação Brasileira de Liderança, todos em 2017, Professor Jefferson traça um parâmetro de como a prática do Karate-do pode ser importante e construtiva para a educação e desenvolvimento de nossas crianças.
01 – Artes do Japão: Muito obrigado pela entrevista Professor Jefferson Campos Lopes. Primeiramente o Professor poderia nos contar um pouco de sua história no karate-do e no mundo acadêmico?
Professor Jefferson Campos Lopes: Bem comecei a fazer Karate com 15 anos em Santos com alguns professores que fizeram a construção inicial do meu Karate, foram eles: Gerson Araujo, Toninho da Dragão e Bartolo. Mas a minha evolução final tanto esportiva como de vida foi feita com o Sensei Johannes Fraiberg. Assim aos 18 anos já estava competindo e logo comecei a ganhar campeonatos a nível estadual, nacional e internacional. Quanto a minha profissão comecei logo cedo a dar aulas em escolas publicas e privadas desde o ensino infantil ate o médio. Aos 28 recebi o primeiro convite para dar aulas no nível universitário onde hoje já tenho mais de 15 anos de experiência.

02 – Artes do Japão: Visto a vasta experiência do Professor com educação, como o Karate-do pode auxiliar as crianças nos quesitos físicos e mentais?
Professor Jefferson Campos Lopes: O Karate como qualquer atividade cognitiva resultada num processo de aquisição de informação que poderá ser usado largamente de forma mental. Quanto a física temos que entender que existe todo um processo de maturação da criança que em alguns casos pode variar de uma para outra, desta forma sempre temos que observar as capacidades e habilidades que estão contidas em cada fase para desenvolvermos melhor.

03 – Artes do Japão: Em uma sociedade que carece de educação de qualidade, como o Karate-do poderia ser utilizado também na inclusão social?
Professor Jefferson Campos Lopes: Na minha opinião educação é essencial para qualquer sociedade evoluir, mas temos que entender que a inclusão social necessita além do conhecimento outros fatores como: solidariedade, cooperação, respeito e oportunidades. Assim o karate pode sim ser essencial para aprimorar a inclusão social.
04 – Artes do Japão: Em 2020 o Karate-do fará sua estreia na Olimpíada de Tokyo. Como este fato pode ajudar a divulgação da modalidade para uma melhor qualidade na educação de nossas crianças?
Professor Jefferson Campos Lopes: Temos que entender ao falarmos em Olimpíadas estamos indo no caminho do alto rendimento que é uma forma de inclusão, mas também de exclusão dos que não habilidosos. Vejo que como é um evento de grande difusão através de várias mídias isso seria muito positivo como forma de divulgar a modalidade.
05 – Artes do Japão: O que o professor acredita ser fundamental para uma prática ideal do Karate-do para crianças?
Professor Jefferson Campos Lopes: Vejo que o ideal em primeiro lugar é a construção do caráter desse individuo através da busca do respeito, do trabalho em equipe, do conhecer a si próprio, da valorização dos desafios. Em segundo lugar transformar a pratica da luta em uma cultura corporal do movimento onde possamos desenvolve-la em todas as formas possíveis e por último que logicamente será desenvolvido pelo trabalho eficiente e objetivo o caminho de escolha pessoal pela competição.
06 – Artes do Japão: Além da carreira dentro do Karate-do, é também professor Universitário, de Pós-graduação e Gestor de Projetos Incentivados de Esportes do Governo Federal e Estadual. Como o Professor vê o esporte hoje no país e sua contribuição na educação?
Professor Jefferson Campos Lopes: Após as olimpíadas o esporte brasileiro passa por grandes dificuldades de gestão e de continuidade do alto rendimento. Precisamos entender que o esporte de alto rendimento tem que encontrar um programa que necessite do poder publico bem pouco e sim através da iniciativa privada possa desenvolver sem limites. O poder publico tem que investir no processo de formação, e este acontece nas escolas e nos projetos sociais, assim teremos sempre uma nova safra de atletas que serão desenvolvidos com mais chances de conquista para o esporte Brasileiro.
07 – Artes do Japão: Em países como os Estados Unidos e Japão, entre vários outros, a prática esportiva está diretamente ligada à educação acadêmica. Na opinião do Professor, qual seria um modelo ideal e viável para o nosso o país, visto as nossas dificuldades socioeconômicas?
Professor Jefferson Campos Lopes: Temos que investir maciçamente em educação, pois através dela teremos condições de todos terem conhecimento, assim poderão fazer suas escolhas na vida. Um processo muito claro para isso seria as escolas de tempo integral já no ensino fundamental indo até o médio. Além disso um grande processo na ajuda de formação de atletas seriam os centros especializados de esportes em vários estados do Brasil.
08 – Artes do Japão: Na educação e no meio esportivo atual há várias iniciativas a respeito de projetos de inclusão para deficientes. Como o professor vê este cenário e quais seriam algumas alternativas?
Professor Jefferson Campos Lopes: Precisamos entender que houveram grandes conquistas dentro da inclusão de deficientes, exemplos disso é nosso esporte paralimpico que tem conquistado um grande espaço a nível internacional. Mas ao falarmos em inclusão dentro da educação precisamos entender se todos nós estamos realmente construindo um mundo igual ou somente com pequenos espaços reservados para alguns.
09 – Artes do Japão: Quais os planos do Professor para o futuro?
Professor Jefferson Campos Lopes: Estou acabando meu doutorado e algumas pós-graduações e espero poder fazer meu PHD fora do País. Quanto ao esporte e educação continuo fazendo várias parcerias com outros profissionais para desenvolver o Karate tanto a nível acadêmico quanto a nível profissional de competição e de profissionais.
10 – Artes do Japão: Considerações finais e um conselho para os iniciantes, principalmente para as crianças.
Professor Jefferson Campos Lopes: Educação é o único caminho para melhorarmos a sociedade, com ela todos podem ter conhecimento ou trocar experiências sobre eles. A FPK (Federação Paulista de Karate) deu um passo na frente de todas as entidades e federações sobre um projeto que vise dar condições de desenvolver o Karate e com certeza deverá colher seus frutos com sucesso logo. Meu conselho as crianças e seus pais ou responsáveis e que incentivem seus filhos a fazer esporte, no caso o Karate, participem das aulas, conheçam qual é o trabalho e a forma de metodologia que o professor ensina, pois existem fases de aprendizado que tem mais chances de se obter grandes resultados. Estas fases acontecem na primeira infância ( de 0 a 6 anos) e dos 12 aos 15 anos, assim o profissional qualificado saberá com certeza desenvolver o melhor que seu filho ou filha tem. Devemos lembrar que nem todos serão atletas, mas todos podem ser grandes praticantes de uma cultura corporal do movimento que é essencial para o resto da vida.
A PRÁTICA DO KARATE E SEUS BENEFICIOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Jefferson C. Lopes.
As origens do Karatê-Dô (Caminho das mãos vazias) podem ser pesquisadas através dos séculos, chegando até o Japão moderno, via Okinawa, promovido na China e provavelmente na Índia, a partir do quarto e quinto século antes de Cristo. Embora partes das informações existentes estejam documentadas, em sua maioria resumem-se a mitos e relatos romanceados, sem comprovação formal. (RANGEL JUNIOR, 2003).
Compreende-se que esta prática corporal auxilia a formação cultural, pessoal, social e esportiva que esta baseada no desenvolvimento sistemático de movimentos do corpo que envolvem tanto os membros superiores como inferiores que são executados através de uma metodologia formada por: Kihon, Kata e Kumitê.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, o trabalho de Educação Física é importante, pois possibilita aos alunos terem desde cedo, a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com a finalidade de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. A área de Educação Física fundamenta-se nas concepções de corpo e movimento. Isto é, a natureza do trabalho desenvolvido nesta área tem íntima relação com a compreensão que se tem desses dois conceitos. (BRASIL, 1998).
Uma das grandes possibilidades desde aprendizado rico e importantíssimo acontece nos primeiros anos de vida (0 a 6 anos) e na primeira infância que ocorre (07 aos 11 anos). Por isto que devemos incentivar nestas faixas etárias o aprender a aprender das mais diversas formas.
Na escola a psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, assim incentivando a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio de atividades variadas às crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Exemplos de ações que estão relacionadas ao esquema corporal, a lateralidade, a estruturação espacial, o ritmo, o tônus muscular, o equilíbrio e a coordenação geral e fina.(MENDONZA,2004).
Já o Karate traz com sua prática corporal as dificuldades motoras e psicológicas dos alunos, convidando-os a imergir num trabalho de autoconstrução, autocrítica, auto superação, tornando-se cada vez mais capazes de solucionar e compreender os próprios problemas e os problemas externos (LANÇANOVA, 2007). Os praticantes adquirem mais força, resistência, flexibilidade, explosão muscular, além de adquirir consequentemente, um corpo mais bem preparado para evitar ou até reduzir eventuais danos em acidentes como quedas, tropeços, empurrões hostis.
Posso citar alguns dos benefícios da prática quando feita de forma correta gerando estes resultados:
1. Manutenção da saúde e desenvolvimento do crescimento corporal;
2. Estimulo para superar e enfrentar obstáculos;
3. Respeito consigo e com os outros;
4. Sociabilização intrapessoal e interpessoal;
5. Empenho, dedicação e disciplina no convívio do dia a dia;
6. Controle da agressividade e cooperação em grupo.
Vale salientar que a busca por um profissional qualificado e graduado passa pela observação e controle dos pais e responsáveis para que haja um ambiente positivo e com resultados a serem alcançados no decorrer da vida da criança. Lembrando que o ensino do Karate é muito maior que simples golpes ou conquistas de resultados e sim no crescimento permanente e continuo da sua vida, pois nunca sabemos o quanto sabemos e o quanto podemos aprender.
Ref. Bib.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais primeiro e segundo ciclos do Ensino Fundamental Brasília: MEC/SEF, 1998.
LANÇANOVA, Jader E.S. Lutas na Educação Física Escolar: Alternativas Pedagógicas. 2007, 70p.
RANGEL JUNIOR Carlos. A Essência do Karatê-Dô. Salvador: EGBA, 2003.
MENDONÇA, Raquel Marins de. Criando o ambiente da criança: a psicomotricidade na educação infantil. In: ALVES, Fátima. Como aplicar a psicomotricidade: uma atividade multidisciplinar com amor e união. Rio de Janeiro: Wak, 2004. p.19-34.
CURRICULUM
• Dd. Em Ciências do Desporto – UTAD(PORTUGAL)
• Doutor em Artes Marciais (Honoris Causa)
• Mestre em Educação e Artes Marciais (Honoris Causa).
• MBA em Lutas – Comitê Olímpico Brasileiro – COB
• MBA Gestão Escolar e Gestão de Pessoas.
• Pós Graduado em Gestão Esportiva, Jogos Cooperativos e Gestão Escolar.
• Graduado em Administração. Empresas, Educação Física e Turismo.
• Pós graduando em Esportes e atividades físicas inclusivas para deficientes – Universidade Federal de Juiz de Fora.
• Pós graduando em Gestão Publica – Unifesp.
• Professor universitário e de Pós-graduação
• Gestor de projetos incentivados de esportes – Federal e estadual.
• Ex-atleta da seleção nacional de karatê.
PREMIOS RECEBIDOS – 2017
• MELHOR PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FISICA – CREF
• MERITO ESPORTIVO – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO
• MELHOR PROFISSIONAL ACADEMICO DO BRASIL – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LIDERANÇA